GALERIA

LAURINDO NUNES NETO
09/08/2018

Já dizia Confúcio: “A humildade é a única base sólida de todas as virtudes”.

Sobre a etimologia da palavra, temos que:

A palavra “humildade” tem sua origem no grego antigo, e sua fonte foge um pouco do conceito que temos do termo. A palavra que originou “humildade” foi a grega HUMUS, que significa “terra”. Este mesmo vocábulo da antiga Grécia também deu origem as palavras “homem” e “humanidade”. Significando primeiramente “terra fértil” e “criatura nascida da terra”, se desenvolveu até ter o significado que conhecemos hoje. “Humilde“, obviamente tem a mesma origem em HUMUS, e vem do grego HUMILIS, que significava literalmente “aquele/aquilo que fica no chão”.

Agora que já temos uma noção melhor sobre o que significa ter simplicidade e modéstia, vamos contemplar juntos a humildade nas palavras do atleta multicampeão Laurindo Nunes Neto, o ícone da vez a compor esta, nada humilde, galeria.



Consultando a sua trajetória na corrida de rua, pude ver que você iniciou cedo no esporte. Descreva o seu primeiro contato com o atletismo, os erros e os acertos na primeira prova, e as expectativas que você tinha naquele momento. 
O meu primeiro contato com o atletismo foi aos 15 anos. A primeira prova foi uma corrida rústica na minha cidade. Foi mágico. Mesmo sem treino fui convidado a participar e ganhei uma medalha de terceiro colocado na categoria. Sobre os erros não me recordo, já que não tinha o acompanhamento de treinadores. O acerto foi ter ido participar da prova. Foi ali que nasceu a paixão por esse esporte magnífico, que é a corrida. Daí surgiu o convite para treinar com o Professor Donizete Horbach, treinador que me apresentou os treinos e me ensinou o caminho para aproveitar ao máximo o meu potencial. Hoje, além de treinador, também é um grande amigo. 

Certa vez li uma reportagem sobre o perfil do corredor de rua no Brasil. A matéria apresentava, entre outras constatações, a idade média de 30 anos, em relação às primeiras experiências dos atletas amadores. Qual o tamanho da importância que tem o despertar precoce para o esporte? Você, por exemplo, obteve resultados expressivos, e conquistou seus primeiros títulos, ainda aos 16 anos de idade. 
Iniciar uma carreira no esporte ainda na adolescência tem o seu lado bom e o lado ruim. O lado bom é que você pode desenvolver ao máximo as suas capacidades, e terá o tempo para desenvolvê-las, junto com o amadurecimento psicológico que as participações em competições propiciarão. O lado ruim é que se você não puder contar com pessoas que pensem na carreira a longo prazo, e que ajudem a superar os desafios que irão aparecer, você fica pelo caminho e acaba desistindo de praticar a sua modalidade, nem que seja pela saúde, sem buscar o nível competitivo.



Você, inclusive, saiu do país para representar o Brasil em competições internacionais quando era garoto. Com um início deste, arrojado, pode-se dizer que você já nasceu corredor, ou teve algum momento em que você se deparou com dúvidas sobre onde poderia chegar com o atletismo? 
Para muitos eu nasci um grande corredor, sempre vencendo. Mas, no início da minha carreira foi bem diferente. Não me encaixava em prova nenhuma, não tinha velocidade, não saltava bem, não tinha força física – e ainda não tenho muita – mas era esforçado e lutava até o fim. Meu treinador, vendo essa característica, mesmo depois de algumas provas sem bons resultados, pediu para que eu desse um tempo no treinamento específico; Que limpasse a minha mente e apenas corresse na grama, como forma de aprimorar a minha coordenação. Isso, sem pensar em rendimento. Então, com dois ou três meses de treino voltei às planilhas, sob o comando e acompanhamento do meu treinador. Já na primeira competição, a etapa estadual dos Jogos da Juventude, tornei-me campeão nos 3.000 metros rasos. Estabeleci a marca de 9min36seg faltando dois meses para completar meus 16 anos. De lá pra cá venho conquistando muitas vitórias e obtendo muito aprendizado, também, nas derrotas. 

Vemos, hoje em dia, a corrida de rua ganhando muitos adeptos. Não são raros os casos em que a motivação das pessoas, inicialmente, surge da busca por uma melhor qualidade de vida. E depois essas pessoas se apaixonam pela atividade física e passam a buscar melhores performances. Você acha que o fato de a corrida de rua ter se tornado popular pode elevar o atletismo, algum dia, ao patamar em que o futebol se encontra hoje? 
Acredito que a corrida de rua terá um crescimento muito maior no Brasil e poderá até se aproximar do futebol, já que ela proporciona uma sensação de bem-estar para quem pratica. Além de tudo, as pessoas correm para superar os seus limites em relação ao tempo e à distância, o que é muito motivador. Entretanto, devido à cultura do nosso país, ainda vai demorar um pouco para alcançarmos o patamar do futebol. Quem sabe, isso aconteça no futuro. 

Falando em futebol, vimos recentemente as atenções do mundo se voltarem para a Copa da Rússia. No Brasil, as pessoas compram bandeiras, camisetas e outros acessórios para expressarem o seu patriotismo de quatro em quatro anos. Os campeonatos mundiais de atletismo, que acontecem a cada dois anos, mal chegam a ser comentados nas mídias mais acessíveis. Qual a sua opinião sobre essas restrições na divulgação dos grandes eventos, e quanto elas são determinantes para a falta de conhecimento do grande público em relação aos nomes de referência do esporte? 
Acredito que já houve uma queda desse patriotismo que acontece só de quatro em quatro anos. A internet, inclusive, é facilitadora para as pessoas buscarem aquilo que realmente gostam, sem a pressão da grande mídia. A imposição da massa é que prejudica os atletas que estão em destaque em outras modalidades. Acredito que as redes sociais estejam ajudando a amenizar essas diferenças, que já foram bem maiores. Com toda a certeza, a falta de contato com o grande público atrapalha os atletas de alcançarem grandes apoiadores para dar-lhes suporte para conquistas de nível mundial.



Sobre essas referências, quais são as suas? 
No atletismo, minhas referências são todos os atletas brasileiros que já fizeram história. Não tenho um ídolo apenas, gosto de observar o potencial de cada um e trazer para mim as coisas boas que cada atleta tem, como a garra, superação entre outras virtudes. 

Entre os atletas, ou ex-atletas, que mais admiro está o etíope Gebrselassie. Assim como outros nomes, ele migrou para as corridas de rua depois de ter conquistado vários títulos nas pistas. Esse tipo de mudança dentro do atletismo parece comum. O atleta inicia em provas curtas e vai “ganhando perna” conforme perde o efeito explosivo em suas performances. No caso do jamaicano Usain Bolt, que migrou para o futebol, não teria sido mais lúcido buscar novos horizontes a partir de corridas de fundo, por exemplo? 
No meu ponto de vista ele conseguiu tudo o que um grande atleta poderia alcançar, como ser reconhecido mundialmente, inclusive por atletas de outras modalidades, com mais mídia. É um cara diferenciado, que soube aproveitar o seu talento com um carisma fora de série, além do quê, ser jogador de futebol é o sonho de quase todas as crianças, e acredito que seja isso que ele está fazendo isso agora. Pode ter sido, também, uma bela sacada de marketing da Puma, sua principal patrocinadora. 

Você estreou em prova de maratona em 2017, apesar de que já tinha experiência no atletismoque te credenciasse a ter iniciado antes. Como você definiu o momento propício para lançar-se neste grande desafio? 
Meu treinador sempre me disse que eu seria um bom maratonista, e sempre me deixou à vontade para decidir quando estaria preparado para estrear na distância. Em meados do ano passado surgiu esse desejo e graças a Deus deu tudo certo. Hoje estou entre os melhores maratonistas da atualidade. 

No caso dessa sua estreia, que foi na São Paulo City Marathon, você conquista de cara o primeiro lugar da prova. Em seguida, conquista o terceiro lugar na Maratona Ibero-americana de Buenos Aires. Mais recente ainda é a sua conquista do bicampeonato em São Paulo. Essa consolidação de excelentes resultados em provas de maratona retrata algum distanciamento de suas ambições para as provas curtas, ou dá pra ser multifuncional neste sentido? Você ainda tem pretensões para as provas de pista? 
Com certeza. Se você quer ser um bom maratonista não pode deixar de correr provas mais curtas e conquistar, nelas, marcas razoáveis. Eu tenho pretensões sim, em provas curtas. Até por que, ainda não fiz treinamentos específicos para maratona e pretendo melhorar ainda mais as minhas marcas de 5.000m e 10.000m na pista e, consequentemente, render uma melhora na meia e na maratona. 

O que te mantém motivado a seguir correndo em alto nível? 
Hoje tenho a minha esposa, meus pais e, principalmente, meu treinador, que vive me motivando e me mostrando de onde eu saí, aonde eu cheguei, e aonde ainda posso chegar como atleta. 

O que te põe pra baixo em relação à corrida? 
Em relação à corrida, as pessoas oportunistas que pouco fazem para que o esporte cresça. Esporte que mudou a minha vida e poderia mudar a vida de tantas outras pessoas. Espero um dia ter condições de oportunizar que outras crianças tenham as oportunidades que eu tive.



O Laurindo tem dias de preguiça? E o que fazer quando o sofá vence a disposição? 
Com certeza tenho sim. É uma luta constante com o desgaste provocado pelos treinos e para não deixar a preguiça e o desânimo vencerem. É preciso estar sempre alimentando a sua motivação com os objetivos que você traça, e por isso, é bom projetar objetivos alcançáveis, para que você não perca motivação quanto a isso. Também, é preciso aprender a valorizar as vitórias sobre as adversidades, que valem muito mais do que qualquer outra conquista. 

Quem participa de corridas de rua com alguma frequência consegue perceber os mesmos nomes encabeçando os resultados das provas. Isso nos causa a impressão de que os corredores mais preparados não cansam, não sofrem, que chega um instante em que fica fácil correr forte. Mito ou verdade? 
Com certeza é um grande mito. Muitas pessoas me perguntam como fazer para correr sem cansar e sem sentir dor. Eu respondo que se souberem, que me ensinem. Também quero aprender (risos). Os atletas profissionais precisam esconder a dor até para não demonstrar fraqueza para seus adversários, pois isso pode lhes custar um lugar no pódio. Pode ter certeza que sentimos muita dor, tanto quanto os atletas menos preparados.



Você já “quebrou” numa prova? Como foi? 
Muitas vezes.Principalmente quando era jovem e errava na estratégia da prova.Saía num ritmo que não suportava manter. É terrível ter que abandonar uma prova ou terminar em um tempo bem aquém do planejado. Mas devemos estar preparados e aprender a lição, de que não somos máquinas, e que nem toda a hora a gente vai correr bem. 

Em relação à sua preparação, existe o trabalho de uma assessoria que disponibiliza o suporte necessário para o seu desenvolvimento, no caso, a Horbach Running Assessoria Esportiva. A disciplina, entendo, é um fator primordial para assimilar as orientações técnicas dos treinadores de corrida. Qual é a sua receita para manter-se alinhado às instruções do seu técnico, Donizete Horbach? 
Com certeza ter uma assessoria é fundamental. Eu tenho o acompanhamento do meu treinador, e a receita para se ter sucesso e alcançar bons resultados é acreditar no trabalho que está sendo feito. Nada me adiantaria chegar para o Donizete e dizer que fulano está fazendo isso ou aquilo, e ficar martelando isso na minha cabeça. É preciso fazer o que é orientado, dar o feedback dos treinos, de como estou me sentindo. Acredito que essa seja a receita para me manter alinhado com o treinador.



Como é a sua rotina de treinos em relação ao volume e à intensidade? 
Trabalho com equilíbrio entre volume e a intensidade. Conforme vou me sentindo e dando feedback para o meu treinador, vamos aumentando o volume e a intensidade para evitar lesões. 

Dentre as suas características marcantes está a humildade, apesar da notoriedade de suas conquistas. O que te faz manter “os pés no chão”? 
Saber de onde eu saí, onde eu estou e onde quero chegar. Saber também que em algum momento isso tudo vai passar e ficar nas boas lembranças das coisas que vivi, com as pessoas que amo.



É fato conhecido, sobre a carreira dos atletas, que o auge do seu rendimento está relacionado à idade. Você completou, recentemente, 25 anos. Este pode ser considerado o seu melhor momento como corredor, o ápice do seu condicionamento físico? 
Ainda não. Temos uma lenha pra queimar. Eu e meu treinador planejamos minha carreira a longo prazo, vamos trabalhar para que daqui para frente alcancemos o ápice da minha forma física. 

Como você vê a sua relação com a corrida de rua no futuro mais distante, quando não tiver as condições necessárias para disputar as primeiras colocações? 
Gostaria de fazer uma maratona que passe por bastantes pontos turísticos, apenas para curtir a prova que me destacou na categoria adulto. E, quem sabe, se ainda estiver animado, participar de algumas provas para curtir e manter a boa forma 

Falando em futuro, você está se formando no curso superior de Administração, pela Uniarp, de Caçador. Apesar de não haver regra, habitualmente, os atletas buscam por estudos e especializações em áreas que possuem alguma afinidade com o esporte. Você destoa, neste sentido. O que te optar pelo curso de administrador de empresas? 
O que me fez procurar esse curso foi a vontade de me tornar um atleta mais consciente em relação à minha carreira, e por ter percebido, muitas vezes, que a maioria dos atletas que me superavam nas categorias de base hoje já desistiram de suas carreiras no esporte. Existem outros fatores no meio, mas a administração e o gerenciamento dessas carreiras estão envolvidos. E também, pensando em profissionalizar o nosso esporte, que ainda precisa se tornar algo mais sério em sua administração, gerenciamento das carreiras de jovens atletas talentosos. Ou seja, vi na administração a forma de contribuir mais para o esporte que mudou a minha vida, e para o esporte de modo geral. 

Qual é o segredo para conciliar todas as atividades de um dia cheio – trabalho, estudo, tarefas domésticas – sem perder o foco nos treinamentos de corrida? 
É preciso saber dividir o tempo e estar em cada momento fazendo aquilo que deve ser feito. É difícil, mas quanto mais você conseguir se concentrar naquele momento será melhor para desenvolver qualquer atividade. Tudo isso, serve como forma de tornar o treino uma coisa menos maçante, além de a mente se abrir com essas outras atividades. 

Qual é a sua mensagem para aquela pessoa que sente a necessidade de vencer o sedentarismo, mas ainda não encontrou a força necessária, ou não sentiu o despertar para as atividades físicas, especialmente em relação à corrida de rua? 
Dê o primeiro passo sem pensar no que os outros vão falar de você. Quando menos esperar estará correndo mais e mais. É algo mágico a sensação de liberdade e bem-estar que a corrida proporciona. 

E para aquele corredor que já está na busca pela evolução em suas corridas, mas que vê suas melhores marcas estagnadas há algum tempo – como é o meu caso – quais as dicas para ser um vencedor, ou pelo menos fazer as pazes com a superação?
Se já faz algum tempo que você não supera um recorde pessoal, não deixe de acreditar. Mas não se cobre apenas em relação ao tempo. Considere como superação a marca próxima de seu recorde, alcançada com adversidade de clima, a superação daquele dia que você não acordou bem e mesmo assim fez o melhor que podia. É dessa forma eu encaro as minhas provas para ser o melhor a cada dia. O tempo não é um bom termômetro para a superação, porque muitos fatores podem influenciar sobre ele. Fatores, os quais, você não pode controlar. Então, cabe a você superar os limites de um determinado dia. Se vier o recorde pessoal, virá como bônus. É preciso saber curtir cada momento.
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EDINILSON "MONSTRO" CARDOSO (CAFU)
“Os rios não bebem sua própria água; as árvores não comem seus próprios frutos. O sol não brilha para si mesmo; e as flores não espalham suas fragrâncias para si. Viver para os outros é uma regra da natureza. [...] A vida é boa quando você está feliz; mas a vida é muito melhor quando os outros estão felizes por sua causa.”                    (Papa Francisco) 
Com estas belas palavras de reflexão eu inicio o primeiro texto de uma série neste blog, a que darei o nome de "Galeria".
O intuito é buscar um pouco das vivências de amigos corredores que, sei, têm algo para enriquecer nossa motivação, restabelecer nosso ânimo, e mostrar que não estamos sozinhos na árdua missão que assumimos em nossas vidas, de sermos melhores a cada dia, balizados em nossa prática esportiva.
Eu não poderia estrear esse espaço se não fosse com um cara que conheci já na minha primeira corrida, lá em 2010.
Na verdade, lembro-me pouco do Cafu em relação àquela prova.
Logicamente, ele foi destaque na corrida que servia de campanha de combate ao diabetes.
Se não me lembro muito dos detalhes de sua performance vitoriosa naquele dia, é porque minhas condições eram desfavoráveis como corredor iniciante. Sofri à beça.
E corredor de ponta, sofre? Corredor forte quebra? Como mantém a motivação?
Com a palavra, o Senhor Edinilson Cardoso.




Quando foi a sua primeira experiência com a corrida de rua, e de que maneira isso aconteceu?
Eu jogava futebol, fiquei sabendo de uma prova e me inscrevi. Foi uma corrida promovida pela Associação Desportiva Classista Ceval, em São Francisco do Sul, onde corri 10 km e cheguei em último lugar.


Você teve a orientação de algum treinador no início, ou orientação de algum atleta com mais experiência? 
No início não tive orientação nenhuma. Porém, tive o incentivo do amigo Carlos Alberto Castro da Silva, mais conhecido por “Belém”. 
Posteriormente, treinei com o professor Amaury Wagner Veríssimo, em Joinville, durante 10 anos, onde tive um grande desenvolvimento como atleta. 
Hoje, faço parte da equipe Life Well – Promoção da Saúde, onde tenho o acompanhamento do professor Lucas Fliegner Gonçalves, de Jaraguá do Sul.




Pra você, um corredor iniciante precisa de maior dose de motivação ou de técnica? E depois de tantos anos, o que é preciso para manter-se correndo bem e motivado?
O corredor iniciante precisa dos dois, motivação e técnica, para melhorar o seu desempenho. 
Depois de tantos anos, é preciso se desafiar a cada dia para melhorarmos as marcas que conquistamos.




De onde vem o apelido Cafu? Tem a ver com o futebol? 
Sim. Quando era pequeno jogava bola com os adultos, eles me chamavam de Cafu e eu respondia. Aí, foi ficando...


Falando em futebol, você tem algum time de coração? 
Sim. Vasco da Gama.


Você já é figura conhecida em São Francisco do Sul, tanto, que candidatou-se nas últimas eleições municipais e teve bom desempenho nas urnas. Suas propostas estavam voltadas para o esporte como ferramenta de humanização, ou não tinha projeto voltado para isso, principalmente, para a corrida de rua? Que medidas seriam bacanas neste sentido? 
Fui candidato e fiz 671 votos. Acredito que as pessoas precisam de alguém que realize ações através do esporte, que é uma ferramenta muito importante para o desenvolvimento da educação, da saúde, e da qualidade de vida. 
Os projetos estavam voltados para o esporte em geral, com o sonho da construção de um centro poliesportivo na cidade. Pensando na corrida de rua, este centro também incluiria uma pista de corrida aberta à comunidade. 
Tenho muitas ideias de medidas para essas questões, porém, as mais importantes envolvem projetos sociais que ajudem a evitar que crianças e jovens entrem no caminho da criminalidade e das drogas.


Pretende se candidatar outra vez? Por quê? 
Sim. Porque através da política é que é possível concretizar ações que são importantes para a comunidade. Hoje em dia pouco tem sido feito.


A impressão que as pessoas têm, sobre os corredores de melhor nível técnico, é que vocês não cansam. Mito ou verdade?
Na verdade, a gente cansa. Mas, devido à rotina de treinos diários, estamos sempre focados naquilo que desejamos.




Você tem uma expressão característica no rosto, parece que está sempre sorrindo. Mas o que te faz perder a tranqüilidade no dia-a-dia? E na corrida? 
Devemos sempre sorrir para a vida, transmitir alegria para as pessoas. Perco a tranquilidade quando há injustiça com o próximo. A corrida é uma festa. Nela, devemos dar sempre o nosso melhor, colocar em prática aquilo que treinamos.


Pra correr bem, é preciso treinar bem? Posso me preservar no treino, fazendo exercícios leves, e me esforçar mais na prova? 
Para correr bem é preciso fazer uma base boa e treinar muito bem, superando seus limites pra chegar no seu objetivo.




Você já “quebrou” numa corrida? Como foi? 
Já quebrei na Meia Maratona de Pomerode, onde parei no 4km. Foi uma sensação ruim, tinha treinado bastante. Senti minha perna, e isso me obrigou a abandonar a prova, pois não queria sofrer uma lesão mais grave.


Se tiver que escolher, você prefere correr com calor extremo ou com o frio intenso? Você, inclusive, já viveu os dois tipos de experiência correndo fora do país. O que aprendeu em cada uma dessas situações? 
Eu prefiro correr no frio intenso. 
Tanto na Patagônia (Argentina), onde enfrentei o frio, como no Deserto do Atacama (Chile) onde o calor foi extremo, aprendi a superar as dificuldades.




Quantas vezes você treina por semana, e como é a preparação na véspera de uma prova? Tem diferenças entre o dia anterior a uma prova de 5 km e o dia anterior a uma meia maratona? Como se cuidar nesses dois casos?
Treino 6 dias na semana, em dois períodos (manhã e tarde). 
A preparação inclui alongamento, hidratação e alimentação adequada na véspera da prova. Cuidados que também são importantes durante a rotina de treinos. 
Outra coisa muito importante é a concentração e evitar algo que possa prejudicar o desempenho, como por exemplo, o estresse. No meu caso, sigo essa preparação.


Há pouco tempo atrás, as corridas mais badaladas levavam para as ruas cerca de quatrocentos a quinhentos atletas. Hoje em dia levam, sem grandes dificuldades, de mil a mil e duzentos corredores. Dá para dizer que as pessoas “compraram” a ideia de cuidar mais da saúde através do esporte, ou você acha que esse aumento nos números é uma “onda” que vai passar? 
As pessoas estão se deparando com a importância de se cuidar. Com isso, a corrida vem favorecê-las em muitos aspectos, como a possibilidade de constituir novos vínculos sociais de amizade e melhorar a autoestima. Além de ser uma forma eficiente de afastar os males do estresse e da depressão.




O Cafu tem seus dias de preguiça, ou isso só acontece com os meros mortais? 
Sim, eu tenho também. Porém, nem sempre é possível se render a ela quando se tem um objetivo a buscar.


Que projetos e desafios você ainda tem dentro do esporte? Algo que ainda pretende realizar? 
Tenho um grande sonho de correr a Walt Disney World Marathon, em Orlando, nos Estados Unidos. 
Pretendo fazer uma prova internacional em 2018, mas ainda não defini onde. 
Também tenho um grande sonho de ter um espaço adequado para treinar e compartilhar meus conhecimentos sobre a corrida com a sociedade. Hoje, faço um trabalho voluntário com 80 atletas, de crianças a idosos.


Você poderia passar um roteiro básico para aquela pessoa que começou a correr neste fim de ano e que pretende alçar vôos mais altos em 2018? 
Primeiramente, procurar um médico para verificar se está apto à prática. 
Procurar, também, um profissional da área para evitar lesões e montar um planejamento individual, pois cada um tem seu objetivo/potencial para desenvolver.


Conduzindo a Tocha Olímpica

Na premiação do Atleta de Destaque Esportivo 2017 (SFS)

Cafu sendo Cafu

Um comentário:

  1. Danusia Tomazoni de Souza18 de janeiro de 2018 16:52

    É isso aí, professor Cafú. Parabéns!

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