segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

ELE NÃO MORDE

Quando eu era criança costumava ir até os mercadinhos próximos de casa comprar pequenas coisas para a minha mãe.
Às vezes era o ovo, o leite, o “mastomate”, o “binga” (isqueiro), ou qualquer outra coisa que meus braços magros e a pouca força davam conta de carregar.
Minha avó, que também morava perto, às vezes pedia para eu fazer alguma corrida pra ela.
E antes de ir pra escola, no turno da tarde, eu tinha que atravessar a cidade para levar o almoço do meu pai no trabalho.
Engraçado, mas nem tanto, é que nossa casa ficava perto do colégio, em Ivaiporã, norte do Paraná. Então eu passava em frente ao portão da escola, andava uns 3 quilômetros carregando a marmita, e voltava para perto de casa para estudar, todo santo dia.
Eu ia de um lado para o outro para minha mãe, para o meu pai, e para minha avó.
Só tinha uma coisa que tirava o meu sono: os cachorros de rua.


Eu morria de medo de encontrá-los por onde eu passava.
Dizem que o cachorro tem o olfato tão apurado a ponto de sentir o cheiro do nosso medo.


Não, não deve ser bem isso.
Talvez, quase.
O fato é que eu nunca tinha coragem para passar perto dos cachorros na rua.
Eu chegava a voltar pelo caminho e reprogramava a rota, como o Waze faz hoje em dia.


A minha outra avó morava no sítio. Eu gostava de passar uns dias no sossego e simplicidade da casa dela, longe da cidade.
Lá, a palavra “vizinho” significava outra coisa. Porque não tinha esse negócio de ver a pessoa toda hora, acenar do portão e coisa e tal.
Vizinho era só um ponto colorido que se movia de vez em quando no horizonte.
Os pontinhos menores eram os frangos ciscando no terreiro.


Aí, minha avó pedia pra eu buscar leite no sítio dos "italianos" (porque lá o trato era pela origem da família, ou pelo sobrenome).
Quando ia chegando perto da casa ouvia os cachorros latindo.
Pensa no desespero do piá!
Como se a minha situação não fosse ruim o bastante, os cachorros dos italianos eram dois buldogues enormes do signo de Áries.
Eu não era, assim, o que podia chamar de filé, mas dava um bom ossinho para aquelas bocas bochechudas roerem.
- Pode vir, ele não morde. Gritavam de longe.


- Ele só quer brincar.


Nessa hora, acho que escapava o cheiro do medo que eu tinha, porque os buldogues faziam caras de nojo e não avançavam.
De certo, um olhava para o outro e dizia:
- Bora caçar um lagarto que dá mais negócio.
Hoje em dia eu acho graça daquele tempo. Mas eu morria de medo.
E olha que eu ainda nem sonhava em conhecer o Pitbull.


Mas eu superei tudo aquilo.
Hoje eu sou um cara bem resolvido com os cachorros de rua.


Não mudo mais a rota quando encontro algum canino perambulando pro meu lado.
Por conta disso, já fui perseguido algumas vezes durante os treinos de corrida. Principalmente, nos finais de semana de manhã.
Os cães pulam cedo da cama aos domingos e não é para ir à igreja.
Então, eu aconselho não passar correndo perto de nenhum bicho que possa aparentar perigo, seja cachorro, ornitorrinco ou um dromedário.




quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

FELIZ ANO NOVO!!!

Saudações, corredores e corredoras.
Depois de um bom tempo sem escrever, focado nos compromissos do trabalho e nas atividades físicas voltadas para a corrida de rua, acho que posso me dar ao desfrute de blogar outra vez.


Prazos cumpridos no escritório e objetivo alcançado no universo paralelo que é a vida de atleta amador.
Na próxima publicação vou contar sobre os prós e os contras da saga que foi percorrer 2.018 quilômetros entre treinos e provas, de janeiro a dezembro do ano que acabou de se fechar.
No mais, desejo que 2019 seja um ano de muitas realizações para todos.
Que a tolerância não exija esforço e que a bondade não almeje recompensas.
Desejo muito fôlego aos amigos e bastante suor para derramar nas corridas da vida.



Grande abraço, e até logo.