sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

CORRIDAS QUE EU NÃO VOU

Assim que começa o ano, o corredor toma sua agenda de provas e começa a rabiscar.
Ele repete em seu planejamento as corridas que o agradaram no ano que passou. Jura que não vai mais naquela em que faltou água para os atletas, e na outra que teve o percurso quase todo em subida, ou na areia fofa.
Mas o bom corredor gosta de experimentar novas sensações, topar novos desafios também. Ele é desprovido de sossego.
Por isso, o bom corredor vasculha a internet em busca de ideias inovadoras que envolvam o seu esporte preferido.
Essa procura pode durar todo o mês de janeiro e se estender até a primeira quinzena do mês de março.
Mas quando nosso herói se depara com uma novidade no calendário, não significa, necessariamente, uma boa surpresa:


A Feijoada Run é uma prova de corrida com largada "depois do almoço".
O cardápio não é qualquer coisa. 
Só se habilita a correr o atleta que degusta o prato feito de uma brasileiríssima feijoada.
Aqueles que confiam nas próprias forças têm à disposição a prova de meia maratona.
Banheiros químicos espalhados pelo percurso fazem parte das atrações desta saborosa e indigesta corrida.


A Corrida de Saco remete seus participantes à infância.
Apesar de divertida, a prova não oferece facilidade alguma para quem se habilita a correr, aliás, a pular.
O revezamento é uma opção.
Corredores desta prova costumam consumir, em larga escala, medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios.


A Corrida Reversa, popularmente conhecida como "corrida de costas", ou "corrida de trás pra frente", ou "corrida de bunda", ou "corrida de ré", entre outros nomes, dependendo da região lombar em que está o sujeito, é o tipo de prova que já existe em algum lugar do planeta.
Acidentes com desavisados correndo em sentido contrário costumam estreitar a relação entre os envolvidos.


A Corrida de Gala poderia se chamar "Corrida de Formatura".
Ela acontece no final do ano, como fechamento de temporada, e reúne atletas socialmente trajados.
A Corrida de Gala tem um charme natural, próprio das provas noturnas.
Estafes servem champagne no percurso.
Mulheres costumam sofrer lesões por causa dos saltos. Por isso, é permitido que tirem seus sapatos nos quilômetros finais da prova.
Homens podem correr segurando suas cartolas.


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