quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

GALERIA #1 - EDINILSON "MONSTRO" CARDOSO (CAFU)

“Os rios não bebem sua própria água; as árvores não comem seus próprios frutos. O sol não brilha para si mesmo; e as flores não espalham suas fragrâncias para si. Viver para os outros é uma regra da natureza. [...] A vida é boa quando você está feliz; mas a vida é muito melhor quando os outros estão felizes por sua causa.”                    (Papa Francisco) 

Com estas belas palavras de reflexão eu inicio o primeiro texto de uma série neste blog, a que darei o nome de "Galeria".
O intuito é buscar um pouco das vivências de amigos corredores que, sei, têm algo para enriquecer nossa motivação, restabelecer nosso ânimo, e mostrar que não estamos sozinhos na árdua missão que assumimos em nossas vidas, de sermos melhores a cada dia, balizados em nossa prática esportiva.
Eu não poderia estrear esse espaço se não fosse com um cara que conheci já na minha primeira corrida, lá em 2010.
Na verdade, lembro-me pouco do Cafu em relação àquela prova.
Logicamente, ele foi destaque na corrida que servia de campanha de combate ao diabetes.
Se não me lembro muito dos detalhes de sua performance vitoriosa naquele dia, é porque minhas condições eram desfavoráveis como corredor iniciante. Sofri à beça.
E corredor de ponta, sofre? Corredor forte quebra? Como mantém a motivação?
Com a palavra o Senhor Edinilson Cardoso.


Quando foi a sua primeira experiência com a corrida de rua, e de que maneira isso aconteceu?
Eu jogava futebol, fiquei sabendo de uma prova e me inscrevi. Foi uma corrida promovida pela Associação Desportiva Classista Ceval, em São Francisco do Sul, onde corri 10 km e cheguei em último lugar.

Você teve a orientação de algum treinador no início, ou orientação de algum atleta com mais experiência? 
No início não tive orientação nenhuma. Porém, tive o incentivo do amigo Carlos Alberto Castro da Silva, mais conhecido por “Belém”. 
Posteriormente, treinei com o professor Amaury Wagner Veríssimo, em Joinville, durante 10 anos, onde tive um grande desenvolvimento como atleta. 
Hoje, faço parte da equipe Life Well – Promoção da Saúde, onde tenho o acompanhamento do professor Lucas Fliegner Gonçalves, de Jaraguá do Sul.


Pra você, um corredor iniciante precisa de maior dose de motivação ou de técnica? E depois de tantos anos, o que é preciso para manter-se correndo bem e motivado?
O corredor iniciante precisa dos dois, motivação e técnica, para melhorar o seu desempenho. 
Depois de tantos anos, é preciso se desafiar a cada dia para melhorarmos as marcas que conquistamos.


De onde vem o apelido Cafu? Tem a ver com o futebol? 
Sim. Quando era pequeno jogava bola com os adultos, eles me chamavam de Cafu e eu respondia. Aí, foi ficando...

Falando em futebol, você tem algum time de coração? 
Sim. Vasco da Gama.

Você já é figura conhecida em São Francisco do Sul, tanto, que candidatou-se nas últimas eleições municipais e teve bom desempenho nas urnas. Suas propostas estavam voltadas para o esporte como ferramenta de humanização, ou não tinha projeto voltado para isso, principalmente, para a corrida de rua? Que medidas seriam bacanas neste sentido? 
Fui candidato e fiz 671 votos. Acredito que as pessoas precisam de alguém que realize ações através do esporte, que é uma ferramenta muito importante para o desenvolvimento da educação, da saúde, e da qualidade de vida. 
Os projetos estavam voltados para o esporte em geral, com o sonho da construção de um centro poliesportivo na cidade. Pensando na corrida de rua, este centro também incluiria uma pista de corrida aberta à comunidade. 
Tenho muitas ideias de medidas para essas questões, porém, as mais importantes envolvem projetos sociais que ajudem a evitar que crianças e jovens entrem no caminho da criminalidade e das drogas.

Pretende se candidatar outra vez? Por quê? 
Sim. Porque através da política é que é possível concretizar ações que são importantes para a comunidade. Hoje em dia pouco tem sido feito.

A impressão que as pessoas têm, sobre os corredores de melhor nível técnico, é que vocês não cansam. Mito ou verdade?
Na verdade, a gente cansa. Mas, devido à rotina de treinos diários, estamos sempre focados naquilo que desejamos.


Você tem uma expressão característica no rosto, parece que está sempre sorrindo. Mas o que te faz perder a tranqüilidade no dia-a-dia? E na corrida? 
Devemos sempre sorrir para a vida, transmitir alegria para as pessoas. Perco a tranquilidade quando há injustiça com o próximo. A corrida é uma festa. Nela, devemos dar sempre o nosso melhor, colocar em prática aquilo que treinamos.

Pra correr bem, é preciso treinar bem? Posso me preservar no treino, fazendo exercícios leves, e me esforçar mais na prova? 
Para correr bem é preciso fazer uma base boa e treinar muito bem, superando seus limites pra chegar no seu objetivo.


Você já “quebrou” numa corrida? Como foi? 
Já quebrei na Meia Maratona de Pomerode, onde parei no 4km. Foi uma sensação ruim, tinha treinado bastante. Senti minha perna, e isso me obrigou a abandonar a prova, pois não queria sofrer uma lesão mais grave.

Se tiver que escolher, você prefere correr com calor extremo ou com o frio intenso? Você, inclusive, já viveu os dois tipos de experiência correndo fora do país. O que aprendeu em cada uma dessas situações? 
Eu prefiro correr no frio intenso. 
Tanto na Patagônia (Argentina), onde enfrentei o frio, como no Deserto do Atacama (Chile) onde o calor foi extremo, aprendi a superar as dificuldades.



Quantas vezes você treina por semana, e como é a preparação na véspera de uma prova? Tem diferenças entre o dia anterior a uma prova de 5 km e o dia anterior a uma meia maratona? Como se cuidar nesses dois casos?
Treino 6 dias na semana, em dois períodos (manhã e tarde). 
A preparação inclui alongamento, hidratação e alimentação adequada na véspera da prova. Cuidados que também são importantes durante a rotina de treinos. 
Outra coisa muito importante é a concentração e evitar algo que possa prejudicar o desempenho, como por exemplo, o estresse. No meu caso, sigo essa preparação.

Há pouco tempo atrás, as corridas mais badaladas levavam para as ruas cerca de quatrocentos a quinhentos atletas. Hoje em dia levam, sem grandes dificuldades, de mil a mil e duzentos corredores. Dá para dizer que as pessoas “compraram” a ideia de cuidar mais da saúde através do esporte, ou você acha que esse aumento nos números é uma “onda” que vai passar? 
As pessoas estão se deparando com a importância de se cuidar. Com isso, a corrida vem favorecê-las em muitos aspectos, como a possibilidade de constituir novos vínculos sociais de amizade e melhorar a autoestima. Além de ser uma forma eficiente de afastar os males do estresse e da depressão.


O Cafu tem seus dias de preguiça, ou isso só acontece com os meros mortais? 
Sim, eu tenho também. Porém, nem sempre é possível se render a ela quando se tem um objetivo a buscar.

Que projetos e desafios você ainda tem dentro do esporte? Algo que ainda pretende realizar? 
Tenho um grande sonho de correr a Walt Disney World Marathon, em Orlando, nos Estados Unidos. 
Pretendo fazer uma prova internacional em 2018, mas ainda não defini onde. 
Também tenho um grande sonho de ter um espaço adequado para treinar e compartilhar meus conhecimentos sobre a corrida com a sociedade. Hoje, faço um trabalho voluntário com 80 atletas, de crianças a idosos.

Você poderia passar um roteiro básico para aquela pessoa que começou a correr neste fim de ano e que pretende alçar vôos mais altos em 2018? 
Primeiramente, procurar um médico para verificar se está apto à prática. 
Procurar, também, um profissional da área para evitar lesões e montar um planejamento individual, pois cada um tem seu objetivo/potencial para desenvolver.

Conduzindo a Tocha Olímpica

Na premiação do Atleta de Destaque Esportivo 2017 (SFS)

Cafu sendo Cafu

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