terça-feira, 3 de outubro de 2017

QUER PAGAR QUANTO?

Tenho percebido meus amigos corredores publicando, cada vez mais, fotos e mensagens de suas atividades físicas nas redes sociais.
Uma visitinha ao Facebook e vejo a selfie de um amigo sorrindo depois de um treino de corrida: “Põe 10 km na conta”.
Uma conferida no grupo do Whatsapp e outro colega comenta: “Treino de hoje tá pago”.
Coisas assim, me fazem pensar que seria uma boa, ver um dia, a corrida de rua se tornando moeda de troca.
Imagine a cena de uma pessoa no supermercado, com o carrinho cheio e tentando acertar a conta no caixa:
- Vai pagar como, senhor?
- Vocês aceitam cartão?
- Não, senhor. Só dinheiro e corrida.
- Não tenho dinheiro, vou pagar com corrida então.
Daí o sujeito vai até uma pista anexa ao estacionamento e começa a correr ali para pagar a sua conta.


É claro que teria que existir um regulamento oficial.
Cada quilômetro percorrido equivaleria determinada quota de moeda. Uma volta completa numa pista de quatrocentos metros, por exemplo, poderia valer um crédito de um real.
Parece muito, mas que nada. 
Significa dizer que a distância de uma maratona corresponderia a, míseros, cento e cinco reais e quarenta e nove centavos.


- Põe dez litros de gasolina, por favor?
- Comum ou aditivada, senhor?
- Comum.
São trinta e cinco reais ou quatorze quilômetros.
E lá iria o motorista para a pista correr 35 voltas para pagar o combustível.
Pensando bem, o ideal seria que houvesse um cartão que acumulasse a quilometragem corrida e de onde pudessem ser deduzidas as distâncias pagas em nossas compras:
- São quatorze quilômetros, senhor. Vai pagar na pista ou no cartão?
E o cidadão iria até o caixa debitar a corrida do seu saldo.


Outras operações e negócios também poderiam surgir da relação da corrida como moeda de troca:
Créditos bancários: a pessoa iria até a sua agência e correria nos arredores do local, conforme o valor do crédito que estivesse solicitando. Um funcionário do banco ficaria com uma prancheta na porta anotando cada volta do cliente.
Empréstimos: o gerente do banco creditaria determinada distância em sua conta para você pagar futuramente, em parcelas (tiros), de forma que a soma final dos quilômetros pagos fosse maior que a distância tomada emprestada (juros).
Consórcio: o sujeito correria certa distância todos os meses, conforme um plano de aquisição de um determinado bem. Para aumentar as chances de ser contemplado, ele correria uma distância maior de tempos em tempos (lances).
Compras diversas (e respectivos cartazes de oferta):
“Calça jeans só 60 km corridos, na promoção!”
“Jaqueta de couro, 200 km de corrida. Só hoje!”
“Refrigerador Frost Free, 580 km. Ou entrada + 10 maratonas sem juros no cartão.”


De volta ao supermercado e o caixa pergunta:
- Vai pagar como, senhor?
- Vou pagar com corrida.
- São 15 quilômetros.
Então o cidadão iria até a pista anexa e começaria a correr.
Ao final de 40 voltas ele voltaria ao caixa pagar sua conta com o vale de 16 quilômetros:
- Pode ser 1 km em bala, senhor?
- Não. Eu quero em corrida também.
Então o funcionário do caixa trancaria a gaveta, calçaria o par de tênis e iria para a pista fazer o troco do cliente, em trote (moedas).




Abraços galera.
Até a próxima!

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