terça-feira, 15 de agosto de 2017

EXPRESSÕES

Existe uma expressão que se refere a enganar alguém que é conhecida por “grupo”. Tapear uma pessoa é o mesmo que “levá-la para grupo”.
Não entendo essa relação, entre o ser ludibriado e o ser levado a fazer parte desse tal grupo.
Logo eu, que em dias de corrida gosto de estar cercado de amigos?

Gosto de conversar em dias de corrida. Fico inquieto.
Repito várias vezes a mesma história pensando que é a primeira vez que conto. Respondo que sim quando não entendo o que me perguntam, e às vezes respondo que não. Mais aleatório que as bolas da sena.
Eu gosto de interação, de ajuntamento.
Por vezes, só vou embora quando desmontam as estruturas de prova.
  
Em contrapartida, em dias de treino estou sempre só. É quase sombrio, lastimável.
Não gosto, e conheço pessoas que detestam correr sozinhas.
Sei de gente que até parou de correr por falta de companhia.
Essa história de que a corrida de rua é uma atividade para fazer sozinho é que é “grupo”, é mentira, enganação, “migué”.
A individualidade no atletismo, a pessoalidade, é fundamental para que cada atleta evolua no seu tempo. O desempenho de um corredor não deve afetar o desempenho de outro.
Mas não é por isso que preferimos correr sozinhos.

É fácil perceber que a necessidade humana de socializar é a mola propulsora que faz da corrida a atividade física queridinha do momento.
Pode ser que você tenha começado correr com um vizinho, com um amigo do trabalho ou algum familiar. E pode ser que vocês tenham incentivado outros amigos, que iniciaram suas corridas logo em seguida, ou um pouco mais tarde.
Algumas pessoas hesitam até que possam ver os resultados do outro em coisas que elas próprias gostariam de empreender. É natural não querer se arriscar.
É como perder o medo do bungee jump só depois que o amigo pula.
É questão de ter um modelo a seguir.

E se levarmos em conta a capacidade de alcance que nos proporcionam as redes sociais, acabamos descobrindo que já fomos inspiração para pessoas que ainda nem conhecemos.
A socialização é o grande barato da corrida de rua, definitivamente.
   

Um exemplo bacana, de interação, que retrata a força do agrupamento de pessoas que tem objetivos em comum, é o da Equipe Kenya, de Joinville.
Formada por amigos que corriam despretensiosos, individualmente, a formatação em equipe trouxe aos integrantes comprometimento na busca por tempos mais rápidos e desafios maiores, como o da primeira maratona, marcada para o próximo dia vinte e sete de agosto, em Florianópolis.
A história dessa rapaziada começa quando o Rosenvaldo, irmão do Lucas, e o amigo Claudemir, que conhecia o Gilmar, que era amigo do Lucas, irmão do Rosenvaldo, percebem que o potencial de cada um poderia se desenvolver melhor em um cenário de motivação. Por causa disso, e para pagar menos impostos, é que surgiu, em 2016, essa trupe de corredores.
  

Depois, foram se juntando ao grupo outros amigos do Claudemir, do Gilmar e do Rosenvaldo, que é irmão do Lucas, amigo do Marcelo, vizinho do primo do cunhado de um amigo do Maicon, que conhece o Diego, e o Eliud Kipchoge, conterrâneo do Paul Tergat, entre outras feras.


Existe uma expressão que se refere a lugares distantes conhecida por “Caixa prego”.
Existe uma prova de maratona que vai até a Caixa prego e volta.
Existe uma ultramaratona que termina “Pra lá de Bagdá”, perto de onde “Judas perdeu as Botas”.


Existe uma expressão que se refere à mentira descabida que é a “Lorota”.
A lorota é, praticamente, uma “Balela”, uma “Conversa pra boi dormir”.
  
Boa noite, e obrigado pela leitura.
 

Um comentário:

  1. Parabéns Marciano pela matéria, adorei, conheço bem esta história de correr sozinho, uns não correm com você porque você é muito rápido não vale a pena nem ir junto, outros porque você é mais lento e aí a companhia precisa fazer tempo de treino. Mas concordo que se pode correr juntos rápidos ou não, cada um no seu tempo, o que vale é a companhia e a conversa de final de treino ou corrida mesmo. A corrida e mais do que tempo é superação, são as amizades e incentivos que encontramos, isso que vale a pena na linha de chegada.

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