quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

DE VOLTA ÀS PISTAS

Depois de um belo período de férias, em que você curtiu o merecido descanso, em que você deu de ombros para as velhas dietas e jogou todas as regras de condicionamento para o alto, chega a hora de retomar a velha rotina de treinos.

É nessa hora que você para, respira fundo, bate no peito e diz:
- Vou sair pra correr!
Você decide não escolher o percurso, mas correr livremente por onde lhe der na telha. A distância também não está nos planos, embora você queira correr uns dez quilômetros, pelo menos.
Aí você pega o material de corrida e percebe que o chip descartável da última prova ainda está preso ao tênis. Isso significa que você guardou o hábito da corrida numa gaveta e o manteve trancado até agora.
Significa também que você não lava seu tênis faz um tempão.
Mas tudo bem, ano novo, vida nova. E você sai.
Os primeiros metros são fáceis em ritmo leve.
Não há razão para forçar. Você está voltando agora. Um bom álibi não lhe falta.


Conforme seu treino vai progredindo e as esquinas vão ficando para trás, você não se dá conta do quanto está se distanciando de casa, ainda que o GPS esteja ali, mostrando tudo pra você.
Enquanto a respiração estiver leve e o fôlego não falhar, dá-lhe pernadas! Outra esquina, depois outra. 
É bom estar de volta!
De repente, os três quilinhos que vieram com o Natal pesam nas coxas e o cansaço chega antes da hora.
Teria sido melhor correr nas proximidades de casa, não teria?
E o que houve com o terceiro quilômetro que demorou tanto pra passar?
E o falso plano? Mais falso que cédula de três reais.
Esse clima... Tá muito quente. Sei não.
O tênis tá apertando.
- Acho que vou trotar um pouco.


Depois: - Caminhar não seria ruim. Enquanto isso eu descanso.
E pra quem pretendia correr dez quilômetros, você vai ficando cada vez mais humilde.
Cada vez mais:
- Acho que não consigo voltar a correr. Vou pra casa.

E você vai ficando ansioso pelo próximo treino, sem que tenha concluído o que está em andamento.
Bate algum arrependimento e você percebe que está longe pra voltar. Mas segue caminhando, lentamente, carregado de culpas.
Faltou planejamento, você conclui. Fica o aprendizado.
Acontece. 
Não fique triste não.
Só que na próxima vez, por precaução, leve dinheiro para o táxi.


O ano está só começando e bons momentos estão por vir. Assim como os treinos desgastantes, os finais de semanas de provas, as novas amizades e tudo mais. A corrida de rua proporciona um pacote completo e diversificado de histórias que adoramos contar e, às vezes (muito raramente), inventar. É que corredor de rua tem suas manhas e suas manias. Mas isso não é assunto pra hoje, é assunto pra outro dia. 
O importante é manter o foco e a autoestima.
Obrigado pela leitura.
Até a próxima.

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