domingo, 29 de janeiro de 2017

BOLT? COMO ASSIM?

Ok, você passou a praticar a corrida de rua.
Depois disso a ida à padaria não é mais um sacrifício que se tenha que fazer de carro ou de bicicleta, porque o significado de "distância" passou a ter outra conotação.
Você adquiriu, também, novos e bons hábitos de condicionamento físico e de alimentação.
Antes, você achava que maratona era toda corrida de longa distância como, por exemplo, uns cinco quilômetros!
Agora, você passou a correr e te chamam de louco, dizem que você está ficando muito magro e que vai acabar "sumindo". Já te apelidaram até de "Bolt".
- Bolt? Como assim?


Verdade seja dita, não existe no atletismo, hoje, alguém mais badalado que o jamaicano Usain Bolt.
É evidente o talento do "Raio". É incontestável a sua competência nas pistas, e o carisma ainda vem de brinde.
Antes que eu esqueça, um dia você pensou que a Jamaica ficasse na África. Não pensou?


Porém, contudo, todavia e entretanto, o esporte de Bolt tem a mesma relação com as corridas de rua que tem o salto com vara, o arremesso de peso, ou o lançamento de martelo. É atletismo, mas é outro departamento.
Qual seria, então, o apelido mais apropriado para chamar um atleta de rua na brincadeira?


Emil Zátopek foi um corredor tcheco que, aos trinta anos de idade, venceu as provas de 5.000 metros, de 10.000 metros, e a maratona, numa mesma edição de Olimpíada.
A proeza deste corredor foi alcançada em 1952, em Helsínquia, Finlândia.
De lá pra cá ninguém ousou repetir o feito.
Zátopek também era conhecido por "Locomotiva Humana". Isso, porque seus treinos aconteciam próximos às linhas férreas lá pelas bandas da República Tcheca.
Treinos, aliás, de níveis exaustivos. A história conta que o cara pegava pesado, exagerava, se maltratava.
Zátopek seria um apelido que não caberia a mim, portanto.


O queniano Paul Tergat é figura conhecida dos brasileiros. O cara saía de casa todos os anos para vencer a Corrida de São Silvestre.
Entre os anos de 1995 e 2000 os corredores disputavam para ver quem chegaria em segundo. O lugar mais alto do pódio era cadeira cativa de Tergat.
Em 1997, entretanto, um brasileiro quebrou a hegemonia africana e segurou o troféu de campeão em terras tupiniquins. Émerson Iser Bem foi o dono da façanha.
Antes dele, Ronaldo da Costa tinha vencido a prova em 1994.
Um fato curioso, relacionado a Paul Tergat, é o de que ele iniciou a carreira de atleta como jogador de basquete.
Era notável a diferença de altura entre ele e os demais corredores.
Nanico, não posso ser chamado de Paul Tergat também.


Entre os grandes nomes do atletismo mais recente é o meu favorito.
Gosto de sua história de vida humilde, da perseverança, e de seu talento incontestável.
Foi o etíope Gebrselassie quem levou aquele famoso "chega-pra-lá" numa final de campeonato mundial, categoria júnior, em 1992:


E o que dizer da disputa de final olímpica nos 10.000 metros com Paul Tergat, em Sydney (2000)?


O problema de Gebrselassie é o seu nome comprido e difícil de memorizar.
Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiose, Oftalmotorrinolaringologista e Anticonstitucionalissimamente também fazem parte da família de Haile Gebrselassie. Mas só esse último entrou para o Hall da Fama do atletismo mundial.


Também etíope, Kenenisa Bekele é outro nome forte da corrida de fundo.
Ah, sim... Não contei que você era um fundista e nem sabia.
Bekele sempre foi considerado o sucessor de Gebrselassie.
Nas olimpíadas de Pequim, em 2008, ele levou a medalha de ouro nas provas de 5.000 e 10.000 metros. Antes disso, nos jogos de Atenas, em 2004, ele quase havia conseguido a façanha, mas a medalha nos 5.000 metros foi a de prata.
Uma passagem marcante na vida deste corredor foi a perda precoce de sua noiva, também atleta, durante um treino que faziam juntos. O fato ocorreu em 2005 e a causa da morte teria sido um ataque cardíaco.


Mohamed Muktar Jama Farah, ou simplesmente "Mo Farah", é o atleta da hora nas corridas em pista.
O cara abocanhou as provas olímpicas de 5.000 e de 10.000 metros na Rio 2016. Inclusive, na prova dos dez mil, ele foi ao chão, levantou, sacudiu a poeira e seguiu para vencer.
Fantástico!
Em 2012 ele já havia feito a dobradinha nas olimpíadas de Londres, mas sem a queda.
Vale lembrar que Mo é nascido na Somália, mas tem cidadania britânica.
Ele tem tanta moral na Inglaterra que já foi até condecorado, pela rainha Elizabeth II, Comandante da Ordem do Império Britânico.
Aposto que ele nem precisa pagar inscrições nas provas que participa.


Atual campeão da maratona olímpica, Eliud Kipchoge é mais um queniano fera em corridas de rua. Ele e toda a população do seu país.
Antes da prova da Rio 2016 ele já era tido como favorito ao título.
Foi lá e fez, com sobras.
O tempo de prova (2h08min44seg) só não foi melhor por conta da vantagem que o maratonista abriu dos demais atletas. Teria ele relaxado, de certo. Ou seja, "ganhou com o pé-nas-costas".
Um detalhe que vale a pena destacar tem a ver com a filosofia de vida de Kipchoge. Apesar de suas conquistas profissionais e consequente melhoria na condição financeira, o corredor vive seus períodos de treinos em um alojamento com atletas iniciantes ou sem patrocínios. No lugar, todas as tarefas do cotidiano são divididas, como cuidar do jardim, preparar a comida, ou limpar os banheiros. Kipchoge afirma que o ideal é manter-se motivado, não relaxar.

E então, qual é a sua referência na corrida?
Além dos que relacionei aqui, diga-se de passagem, existem muitos outros corredores que nos inspiram ao esporte de rua. 
Fico devendo um post sobre a mulherada que corre forte também.
Grande abraço e até a próxima.
Obrigado pela leitura.

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