sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

DEDINHO DE PROSA

A proximidade do Natal promove o clima de festa e de integração nesta época do ano. Empreguei esforços em busca de algo que pudesse dar ar natalino a este blog e fui contemplado com uma entrevista, exclusiva, com o próprio Papai-Noel.
Numa conversa franca e descontraída, o bom velhinho conta tudo o que sempre quisemos saber sobre sua vida e fala um pouco da sua relação com a corrida de rua. Sim, o Papai-Noel é um dos nossos.


Papai-Noel, é uma grande honra receber o senhor neste blog pra compartilhar este momento em que, nos parece, há tantos compromissos em sua agenda. Obrigado por essa exclusividade.

De nada.



O senhor, assim como o cantor Roberto Carlos, é figura marcante em cada final de ano. Não incomoda ser lembrado somente nesses dias?


Não.

Sem contar que esse contato, na maioria das vezes, é por pedido de presentes, não é? 

É.


 O senhor é um homem de poucas palavras pelo que parece.



Desculpe, eu tava fechando uma compra pelo Whatsapp. O que você dizia?


Que as pessoas só escrevem as cartas para pedir coisas.


Cartas? Que nada. É uma ou outra só. O contato, hoje em dia, é feito por e-mail, Whatsapp, Twitter, Facebook, entre outras mídias. Já não dou conta de ler todas as mensagens.


Mas o senhor tem ajudantes, não é? E uma fábrica de brinquedos na Lapônia também?


Na verdade não os chamo de ajudantes, mas de colaboradores. São funcionários que atendem em centrais de telemarketing e chão de fábrica. Mas a unidade da Lapônia é a menor de todas. A globalização e a expansão dos negócios me fizeram buscar os grandes centros, onde eu posso obter melhores resultados sem que questões de logística comprometam o desenvolvimento de todo o processo. Estamos com fábricas nos Estados Unidos, Canadá, China, Japão, Vietnã, Alemanha, Bósnia-Herzegovina, no Paraguai e no Brasil.



Neste cenário de negócios, o senhor tem contrato publicitário com a Coca-Cola, como garoto-propaganda, e milhares de produtos licenciados com outras empresas.


Preciso complementar a aposentadoria com outras rendas.

Todas declaradas em seu imposto de renda, logicamente?



Logicamente.


E o senhor mora na Lapônia, como sempre ouvimos falar?

Eu sou um homem de negócios, moro pelo mundo. Como em restaurantes e durmo em hotéis quase todos os dias do ano. Dificilmente passo uma semana inteira em casa.

Deve ser difícil para a Mamãe-Noel?

Este é um assunto que meu advogado está tratando com o advogado dela.



Ops! Eu não sabia.

Mas é verdade que o senhor é um apaixonado pelas corridas de rua?

Oh, sim. Apesar de ser um tanto atarefado, nunca deixo de praticar o meu esporte.

E qual é a especialidade do senhor, ou a sua distância favorita?

Eu gosto de maratona. Até corro distâncias menores, mas prefiro correr maratona.

Alguma prova favorita?



A maratona de Berlim, sem dúvida. Também gosto da maratona de São Silvestre, no Rio de Janeiro.


Mas, Papai-Noel, a corrida de São Silvestre não é uma maratona e ela acontece em São Paulo, não no Rio de Janeiro.

Hummm... Pra mim, é como se fosse uma maratona. Meus finais de anos são intensos.

Certo. Mas não é no Rio de Janeiro, ok?

Você deve conhecer o Brasil melhor do que eu. Já deve ter corrido várias vezes a São Silvestre.



Não, eu nunca corri.


Nunca correu?

Não, não.

Então você não é corredor.

Sou sim. Só não corri a São Silvestre.

Interessante.

Tá bom. 
Falando sobre as corridas, o senhor já recebeu algum pedido inusitado de corredores?



Muitos me pedem pace de quatro minutos.


E o que o senhor diz pra quem pede melhores ritmos, como essas pessoas?

Treinem. Treinem muito.

Não há nada que o senhor possa fazer, neste caso?

Sim, posso treinar para correr mais rápido que esses que me pedem. Não dá pra relaxar.

Hahaha... Mas o senhor não deve ter muita concorrência na categoria por idade, tem?

E você tem?



Claro que sim. Minha categoria é bem concorrida.


E qual é?

De trinta e cinco a trinta e nove anos.

Achei que fosse outra.

Achou que eu fosse mais novo?

Não, não.

Ok. E como surgiu o interesse pela corrida de rua?



Foi por causa da tradição de colocar o sapatinho na janela na véspera de Natal. Uma vez colocaram um Asics Kayano no lugar do sapatinho. Era o meu número, não resisti. Depois daquele dia passei a ficar mais ligado nos modelos sofisticados de tênis.


Então o senhor é um corredor exigente?

Eu viajo muito, encontro muitas promoções bacanas. Mas não sou enjoado com isso.



Sabe que fui um bom garoto neste ano?


É mesmo? E o que você vai querer ganhar?

Sei lá. Tava pensando num Fila Kenya Racer, dourado, tamanho trinta e nove.



Você conhece a tradição. Coloque o sapatinho na janela.

Sério?



Não.

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