quinta-feira, 2 de julho de 2015

32ª MARATONA INTERNACIONAL DE PORTO ALEGRE - 14/06/2015

Costumo dizer que as coisas andam corridas pra todo mundo hoje em dia. Até pra quem não faz nada da vida já tá complicado ter tanta coisa pra não fazer.
Tenho um amigo que acorda cedo todos os dias pra não levar os filhos pra escola. Depois ele não vai para o trabalho e ainda não faz o almoço e não limpa a casa. Ele não vai pra faculdade à noite e não prepara o jantar e nem vai pra igreja. No fim do dia o meu amigo fica esgotado de tanta coisa que não fez, além daquilo que deixa pra não fazer só no dia seguinte.

Não sou tão compromissado como esse camarada, mas reconheço que sinto dificuldade pra manter o blog atualizado e já penso até em terceirizar a redação. Interessados, por favor, preencher a ficha abaixo e enviar no meu e-mail.  
A pauta do dia é ela, a tão aguardada estreia em corridas de 42 km... A maratona... a monstruosa, a apavorante, a chocante, a deliciosa, a divertida, a bem organizada, a destemida: Maratona Internacional de Porto Alegre.
êêêêê...
Na véspera da corrida pulamos cedo da cama para tomar o café antes de pegar estrada. O galo velho ainda roncava e a gente já estava pronto pra sair.      

zzz... có... zzz. có... zzz... có...
Por volta de quatro e meia da matina o Alex apareceu e partimos rumo à capital do chimarrão, eu e a Danusia, o Alex, a esposa Patrícia e a filhinha Ana Laura. Como pessoas práticas que somos levamos somente o essencial.
- Taca-le pau nesse carrinho Alex véio...
Alguma coisa estava estranha na viagem. Não sei por quê, mas durante o percurso até o Rio Grande eu tinha a impressão de que a estrada era um declive sem fim. Sem falar de uma raça de bois pastando à beira da estrada de pelagem cinza esverdeada, ou verde acinzentada, não sei. Nem ia mencionar isso, é bobagem, mas eu sei que o Alex iria cobrar se eu não contasse. E bobagem por bobagem...
Registro mesmo que não pode faltar é o da nossa passagem pelo pódio da maratona. Pena que o Eduardo fez pose de político em campanha e deixou eu e o Alex parecidos com seus cabos eleitorais. 

Pelo Bolsa-Maratona, vote no Eduardo Sanfona.
Esse nosso "candidato" é uma figura. Não sou de entregar ninguém, mas uma fonte segura afirmou que o Eduardo dormiu no chão do quarto só pra não amassar a vestimenta de corrida. É muito caprichoso esse menino. Acho que vou votar nele... Ou não. 


Chegada a hora de fato, depois de um sono bom e um café reforçado, nos encontramos no local da largada com aquela cara de propaganda de creme dental. 


Eu disse propaganda de creme dental, não de "cólica intestinal".

Digam xiiiiiisss...
Depois de um breve aquecimento, e entusiasmados com todo aquele clima de festa, decidimos que a nossa estratégia de maratona seria a de corrermos no melhor estilo "Unus pro omnibus, omnes pro uno", que significa "Um por todos, todos por um" em português (essa eu busquei no Wikipédia... hahaha...).
Os Três Mosqueteiros
Os primeiros quilômetros foram de muita contemplação. A gente conversava como se estivesse numa barbearia. Trinta minutos de prova e a gente não queria que aquilo acabasse tão logo.

"Caba não mundão"
Enquanto "passeávamos" pelas ruas de Porto Alegre, já longe do local da largada, outras atrações aconteciam para entreter o público e incentivar a criançada à prática da corrida.  
O último que chegar é mulher do padre!
Certas imagens nem precisam de legenda.
sem legenda
Tenho que destacar a participação da Ana Laura, filha do amigo Alex, e da Bianca, filha do amigo Luciano, na maratoninha.

Tão jovens e já tendo que lidar com o assédio da imprensa
A corrida rolando e a gente ainda tinha fôlego para as poses. Só não entendi o gesto do Eduardo na foto... me parece que ele começava a delirar. O Alex sensualizou com um olhar de lobo mau, e eu optei pela pose "preciso-de-um-banheiro".


Correr maratona significa passar tanto tempo em atividade que dá pra fazer muita coisa no mesmo período. Inclusive tirar uma boa soneca. "Não Lucas. Você está fazendo isso errado". 


Eu me refiro ao tempo médio de três horas e meia sob o ponto de vista de quem aguarda o maratonista na linha de chegada.
Ler um bom livro, acessar a rede social, fazer compras? Ou tudo isso junto. 
O fato é que, assim como o corredor, a pessoa que vai assistir à corrida também deve se programar para o tempo em que vai ter que esperar. Só não pode ir embora e deixar o atleta sem carona.


Em relação aos preparativos para estar ali correndo uma distância mais longa, devo admitir que faltou um pouco de empenho da minha parte, apesar de todo o planejamento com inscrição, deslocamento e hotel. E a maratona cobra o preço de quem preferiu o sofá a um dia de treinamento.
Passando pelo Km 35 senti um forte cansaço nas pernas e pedi que os outros mosqueteiros seguissem sem mim (Oh! Que drama!). Naquele momento passou um filme em minha cabeça...


Seria uma lástima ter que desistir estando perto do final. Apesar de ser notável o índice de desistência na prova eu não gostaria de ter que "largar-de-mão" ali no fim.
Apoiei as mãos nos joelhos e me abaixei numa posição de falência (aquela da brincadeira "Pula-Carniça"). Sentia como se pesasse 200 kg... Travei.
Enquanto isso os corredores iam passando e ficando pequenos enquanto sumiam à frente. Ninguém pra me oferecer nem um chimarrão! Me senti correndo a maratona de Boston.
Retomei o movimento em trote e fui aumentando a intensidade até correr num ritmo moderado e constante. Alcancei o mosqueteiro Alex, que já corria com a língua na cintura, dei um "Hasta la vista, baby" pra ele e continuei na minha passada.
Eu já estava alcançando o mosqueteiro Eduardo quando ele me viu chegando por trás (no bom sentido) e segurou seu ritmo de gazela (no bom sentido). Corremos lado a lado os quilômetros que faltavam e experimentamos juntos (no bom sentido de novo) a sensação indescritível que é a de completar a prova.

Aproximadamente 3 horas e 33 minutos de corrida
O Alex também teve sua chegada glamourosa bem acompanhado da filha Ana Laura e da amiguinha Bianca.


Depois de passar por uma sessão de massagem e descobrir que as pernas ainda estavam comigo, corri, aliás, "caminhei" para os braços da minha amada Danusia.

E o Eduardo encontrou aconchego na presença da esposa Giselle e da filhinha Maria Isabel, ou "Bebel", para os chegados.

Quem aguardava ansiosa a chegada do Alex era a esposa Patrícia. A filhona Ana Laura não se conteve e foi encontrar o papai no caminho, como já vimos.


Também não podemos deixar de reconhecer a importância da assessoria Corra Mais Km na realização desta nossa empreitada. Em especial, ao Gilialdo Koball, que é a nossa referência por tudo que já conquistou e ainda conquista como corredor; à There, que é quem cuida da gente e se preocupa com detalhes que às vezes nos passam despercebidos; e à Professora Elis, que prepara nossos treinos e passa sua experiência como atleta em plena ascensão.


Maratona é isso aí, um misto de empolgação, ansiedade, desconfiança e superação.
Não é preciso criar um Godzilla no imaginário e apostar as fichas numa incapacidade de concluir a prova. Mas se o monstro se instaurar, vire um super-herói de si mesmo e salve o dia (ainda que no dia seguinte você não consiga tirar o pé do chão).
Vale a pena passar qualquer sufoco, desde a conclusão da prova e a meia hora seguinte, em que você tem vontade de abandonar a carcaça e desaparecer até o momento em que as forças se restabelecem e a gente sente vontade de correr tudo de novo. 

A primeira meia hora após
E pensar que ainda teremos a Uphill, na Serra do Rio do Rastro, no dia 1º de agosto...
Sorte nossa tirar alguma lição desta primeira experiência, porque não creio que teremos facilidade em correr morro acima depois de uma carga de corrida até o pé da serra. Mas aí serão "outros quinhentos"... não me cabe no momento sofrer por antecipação. Até parece que tô com medo, não é?   

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